Salvador Dalí na sua trajetória e ganância

21/11/2011
                                                                                                         

Salvador Felipe Jacinto Dali e Domènech, primeiro Marquês Dali de Pubol, nascido na Espanha, Catalunha, especificamente em Fiqueres, em 11 de maio de 1904. Faleceu também em Fiqueres, em 23 de janeiro de 1989. Dali costumava afirmar que pertencia a uma linhagem árabe, considerando seus antepassados como descendentes dos mouros, que ocuparam o sul da Espanha de 711 até 1492. Ele atribuía a sua extravagância a essa origem.

                                                                                                                                                                                     

imagem 1 – Foto do Mapa de Figueres e Cadaqués.

 

Ele é consagrado como um pintor catalão surrealista, que produziu imagens bizarras e oníricas de excelente qualidade plástica. Conhecedor dos mestres clássicos do renacimento, o artista desenvolveu a sua obra fortemente influenciada por eles, mas os reproduziu a partir do seu próprio inconsciente e surrealismo.

                                               

                         


imagens  2 e 3 – Auto retrato de Diego Velázquez – pintura de 45 x 38 cm, 1656.   -   Busto de Velazquez Metamorfoseando-se em três pessoas de Salvador Dali –  Bronze pintado, 90 x 70 x  36 cm, 1974.

      

                         


imagens 4 e 5 – A rendeira – de Johannes Vermeer – óleo com carvão, 23,9 x 20,5 cm – 1669 -1670.    -     Busto Rinocerôntico de “A rendeira” de Vermeer feito por Salvador Dali. Gesso com pátina, 50,5 x 31,4 x 38,5 cm – 1955.

 

                   

imagens  6 e 7 -  Pietá – Escultura de Michelangelo – 1499 – 1500.  -  Pietá – de Salvador Dali – óleo sobre tela, 100,2 x 100 cm – 1982.

 

A década de 1930 foi um período de grande produção artística de Dali. Nesta fase ele representava imagens do cotidiano, produzindo de forma inesperada e surpreendente. As cores vivas, a luminosidade e o brilho marcaram o seu estilo artístico.

 

                                              

imagem  8 – Vestígios Atávicos depois da chuva – óleo sobre tela, 65 x 54 cm – 1934.


No final da década de 1930, Dalí estava começando a ser reconhecido nos Estados Unidos e na Europa, onde mostrou o seu trabalho com atitudes em relação às novidades artísticas, que eram menos conservadoras do que no Velho Mundo. Entretanto com a eclosão da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), um dos conflitos mais emblemáticos do século 20, fez Dalí fugir quando recusou alinhar-se a qualquer grupo político.
A astúcia política dele desempenhou um papel significativo na sua existência como um artista. Ele foi por vezes visto como um apoiador do autoritário Francisco Franco, ditador Espanhol, cujo regime durou entre 1939 e 1976.

 

        http://mylleandrade.files.wordpress.com/2009/06/dali-as-faces-da-guerra.jpg?w=448&h=343

imagens  9 e 10 – Foto de Francisco Franco, ditador Espanhol.   -    Rosto da Guerra feito por Dali – óleo sobre tela, 64 x 79 cm – 1940 – 1941.


Com o início da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos alemães sobre a França, em 1940, onde Dali se encontrava, levou-o a fugir para os EUA, país em que permaneceu por oito anos, até 1948.


Enquanto esteve na cidade de Nova Iorque em 1942, Salvador Dalí realizou a publicação de “A vida secreta de Dali”, na qual ele revelou o seu desentendimento com Buñuel sobre as desavenças por causa do filme A Idade do Ouro. Comentando nas entrevistas sobre o seu livro, Dali aproveitou para denunciar seu colega, o também surrealista Luis Buñuel que era um ateu e comunista. Como o cineasta estava trabalhando como conselheiro e chefe de montagem para o Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque, a acusação expressa pelas suas simpatias comunistas, provocou um escândalo, levando-o  a se demitir do MoMA em 1943.

                                                   

imagem  11 -  Foto de Luis Buñuel


Sem dinheiro, Buñuel chegou a pedir ao artista um empréstimo de cinqüenta dólares e Dali obedecendo Gala, recusou-se a ajudá-lo por carta, e simultaneamente, fez um grande elogio a Franco e às virtudes da Igreja Católica.

 

                       

imagens  12 e 13 - Foto de Francisco Franco, ditador Espanhol com Dali.   -   O Concílio Ecuménico feito por Dali – óleo sobre tela, 300 x 254 cm – 1960

 

Nos Estados Unidos, além das pinturas, Dali realizou também esculturas, joias, roupas, fotos, poemas e imagens para o teatro e cinema aos autores conhecidos como Hitchcock e Walt Disney.                

A América proporcionou inúmeras oportunidades para ele usar seu talento, favorecendo-lhe demonstrar o seu lado exibicionista. Tornando-se uma super celebridade, encenando alguns “happenings” muito antes da invenção deste termo e eventualmente até aparecer em comerciais de TV.

 

                    

imagens  14 e 15 – Fotos das propagandas na TV com  Salvador Dali – 1940 – 1948.

 

                         
                                                                                                                                                imagens  16 e 17 - Fotos das propagandas na TV com Salvador Dali – 1940 – 1948.


Em 1945 Dali trabalhou com os autores de destaque, como o mestre do suspense, Alfred Hitchcock. Ele concebeu e realizou uma seqüência onírica no filme Speelbound.

 

                      

imagens  18 e 19 – O filme Speelbound de Alfred Hitchcock - com Ingrid Bergman e Gregory Peck – 1945.    

                                                              
O filme tratou de estados de alucinação psiquiátrica, sobre alguns sonhos e expressões do inconsciente. É uma espécie de filme policial, cuja investigação foi feita por uma psicóloga, interpretado por Ingrid Bergman, sobre o passado condicionado às atuações do seu amado, o artista Gregory Peck. A referida seqüência trata da filmagem de um sonho do protagonista, numa viagem do espectador à mente do sonhador.

 

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imagens  20 e 21 – Foto dos olhos presente no filme “Speelbound” de Hitchcock em 1941.     -    Os vários olhos numa pintura para a lembrança de Salvador Dali – óleo sobre tela, 88,8 x 113,1 cm – 1945.

 

Dalí fez a cena com maestria, onde os fragmentos de referências dalinianas demonstraram uma obra de arte. Quando conheceu Walt Disney ele procurou demonstrar que era um mestre em desenhos animados, fazendo nascer  sua idéia de mesclar sua maestria e genialidade à tecnologia dos estúdios Disney na Califórnia, criando a animação do filme Destino.

Entre os dois foi efetuado um contrato de dois meses, firmado em 1945, permitindo a Dali uma completa dedicação ao projeto, realizado na Disney Studios.

 

Destino uniu Salvador Dali e Disney

imagem 22 – Foto de  Salvador Dali, Walt Disney, Gala, Lillian Bounds, mulheres de Dali e Disney.

 

Entretanto o filme teve a sua produção iniciada, mas depois de um ano, ele não foi concluido junto com o artista, porque vários problemas técnicos e financeiros impediram a sua realização. Mas no início do Século 21, o filme Destino, uma animação de curta-metragem foi finalmente lançado em 2003 pela Walt Disney Company.

 

     

imagens  23 e 24 -  Película de Walt Disney “Destino” – de Salvador Dali - aquarela sobre papel, 29,7 x 37 cm – 1949      -   Imagem Dupla para o filme “Destino” com a foto de Disney por Salvador Dali - óleo e colagem sobre madeira – 1946.

 

         

imagens  25 e 26 – Desenho para o filme “Destino” de Disney feito por Salvador Dali - técnica e dimensão desconhecida -  1947.    -   Pintura de Salvador Dali para o projeto do filme “Destino” – aquarela sobre papel, 40 x 30 cm – 1946.   

                                                               
Ainda nos Estados Unidos Dali ampliou a sua produção das pinturas e esculturas, para joias, roupas e fotos. Entretanto, com o sucesso e o passar do tempo, ambicionando melhorar sua vida financeira, o que passou a ter como sua principal meta durante todo o resto da vida.

 

             

imagens  27 e 28 – O coração real – pepita de ouro com um coração de 46 rubis de 17,61 quilates  e 42 diamabtes  de 0, 57 quilates, 4 esmeraldas, 6 rubis, 2 rubis redondos, 4 safiras, 9 pérolas multicoloridas e pérolas que cobrem um mecanismo que representa as batidas do coração – feito por Salvador Dali - altura 10 cm – 1953.    -   O olho do tempo – esmalte, diamantes e rubís – feito por Dali – 4,0 x 6,4 x 1,5 cm   

 

                                     

imagens  29 e 30 – Lábios de rubís, pérolas e ouro – feito por Salvador Dali -   0,3 x 0,5 x 1,0 cm – 1950.   -    A Cruz do Anjo – feito por Salvador Dali – coral da China, diamantes, Ouro e topásio do Brasil – 60 x 29 x 09 cm – 1960.

 

                          

imagens  31 e 32 – Projeto de figurino para   “A moleneira” – feito por Salvador Dali -  1949.    -      Dia e Noite do corpo – feito por Salvador Dali - aquarela sobre papel – 30 x 40 cm – 1936.                                                  

 

      

imagem 33 - Projetos para os figurinos de: Moleiro, Guarda e Padre – feito por Salvador Dali – 1949.

 

Seu objetivo era ganhar muito dinheiro, tornando-o conhecido como um “Avida Dollars”, expressão utilizada para designar sua voracidade por dólares. A  continuidade da sua relação simbólica com o mundo da comunicação lhe favorecia a situação financeira, pois considerava depender disto. Entretanto, com o passar do tempo a sua vida financeira tornou-se verdadeira obsessão.


Regressando para a Catalunha em 1949, portanto após a Segunda Guerra Mundial, ele tornou-se mais próximo do regime de Franco.


Alguns escritores declararam que Dalí apoiou o regime franquista, facilitando suas ações, apesar de não ter conhecido o ditador pessoalmente. Mas seu biografo Ian Gibson comenta não ser possível determinar se suas homenagens a Franco foram sinceras ou interessadas em privilégios políticos.


A partir de 1960 vários Museus sobre Dali foram construídos. Entretanto consideramos os mais importantes, aqueles que o próprio artista executou, colocando em prática dois grandes projetos. O primeiro, que ele desenvolveu para Gala, foi o Castelo-Museu Gala Salvador Dali, no castelo em Pubol, entre a sua terra natal Figueres e Cadaqués, cujo espaço reuniu grande parte de suas obras. Neste Museu também está o corpo onde Gala foi enterrada em 10 de junho de 1982. 

 

                      

imagens  34 e 35 – Foto do Mapa de Pubol entre Fiqueres e Cadaqués.  - Foto do interior do Castelo de Pubol - Museu Gala Salvador Dali.            

 

                      


imagens  36 e 37 - Foto da lateral do Castelo - Museu Gala Salvador Dali. -  Escultura do Castelo de Pubol de Gala feito por Dali.          

     
Em  seguida começou a trabalhar no Teatro-Museum Salvador Dalí, na sua terra natal, em Figueres. Este foi o projeto mais vultuoso de toda a sua carreira, considerado como o principal foco de suas energias até 1974, embora continuasse a fazer acréscimos até meados dos de 1980.

 

        

imagens  38 e 39 – Foto do Átrio do Teatro – Museu Salvador Dali -  em Figueres.    -     Foto da área externa do Teatro – Museu Salvador Dali de 27-09-1974, construído no lugar do antigo Teatro Municipal de Figueres bombardeado n a Guerra Civil Espanhola.  

 

             

                 
imagens  40 e 41 – Páteo externo do Teatro – Museu Dali em Figueres, com a estátua da Rainha Ester – Bronze irradiando o Cadilaque de Dali.    -     Vista da Cúpula reticular e transparente que domina este conjunto orgiástico com a cor azul escuro.   


Depois da morte da sua esposa Gala em 1982, Dali foi morar no Castelo de Pubol, a sua última residência. Nesta fase o artista entrou numa grande tristeza e depressão. Parou de produzir, recusando-se a fazer as refeições diárias. Ficou desidratado e teve que ser alimentado por sonda.


Em 1984, deflagrou um incêndio no seu quarto em circunstâncias pouco claras. Talvez tenha sido uma tentativa de suicídio de Dalí. Também pode ter sido uma tentativa de homicídio de um empregado, ou talvez simples negligência do seu pessoal. Mas Dalí foi salvo e levado para Figueres, onde um grupo de amigos, patronos e artistas se asseguraram de que o pintor vivesse confortavelmente os seus últimos anos no seu teatro-museu.


Salvador Dali morreu em 23 de janeiro de 1989, de pneumonia e parada cardíaca, sendo enterrado em Figueres. Seu túmulo encontra-se no Teatro-Museum Salvador Dalí, atrás da sua própria escultura que se encontra no salão principal.

 

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Salvador_Dali_Crypt_in_Figueres.jpg/220px-Salvador_Dali_Crypt_in_Figueres.jpg          

imagens  42 e 43 – Salvador Dali repousa na crípta atras da escultura realizada por ele em vida, exposta cúpula do Teatro – Museu Dali em Fiqueres.   

               

A literatura aponta alguns marcos para se percorrer a obra de Dali.


1914 – 1922 - O prazer de pintar;

 

       


imagem 44 e 45 – Vista de Port Dugué em Cadaqués – óleo sobre tela, 21,3 x 28 cm – 1918-1919.   -   Sem título – aquarela sobre papel – dimensão desconhecida – 1914.

 

1923 – 1925 - Aventuras e explosões estéticas;

 

            

imagens 46 e 47 – Pierrot e viola – óleo sobre colagem em cartão,  55 x 52 cm – 1924.  -    El Moli – paisagem de Cadaqués – óleo sobre tela, 75 x 98 cm - 1923                                 

                                 
1926 – 1928 - Do neo-cubismo ao pré-surrealismo;

 


imagem 48 – Mulher deitada entre os rochedos – óleo sobre contraplacado, 27 x 41 cm – 1926.     

            
1929 – 1933 - Paris e o Surrealismo;

 

imagem 49 – Os prazeres iluminados – óleo e colagem sobre painel aglomerado, 24 x 31 cm – 1929.                 

      

1934 – 1937 - A Psicanálise e o método Paranóico-Crítico;

 

imagem 50 – Retrato da Viscondessa Maria – Laure de Noailles – tinta e papel sobre cartão – 1932. 

                
1938 – 1945 - A América e o Átomo;

 

imagem 51 – Idílio Atômico e Urânio Melancólico – óleo sobre tela, 65 x 85 cm – 1945. 

                
1946 – 1949 - A explosão para um novo classicismo;

 

          


imagens 52, 53 e 54 – Madona de Port Ligat – óleo sobre tela, 144 x 96 cm – 1950.   -    Equilíbrio Intra-Atômico de uma pena de Cisne – óleo sobre tela 77,5 x 96,5 cm – 1947.    -   Retrato de Picasso – óleo sobre tela, 64,1 x 54,7 cm - 1947.   
   

 

1950 – 1962 - A mística nuclear;

 

          


imagens 55, 56 e 57 – A Madona de Port Ligat – óleo sobre tela, 144 x 96 cm – 1950.    -     A última ceia – óleo sobre tela, 167 x 268 cm – 1955.  -  A descoberta da América por Cristóvão Colombo – óleo sobre tela, 410 x 284 cm - 1958 – 1959.         

           
1963 – 1979 - O choque e a ciência;

 

              

imagens 58, 59 e 60 – Dali pintou o teto do Salão Nobre – 1972.   -    Esboço para o Teto do Teatro – Museu  Dali – 1972   -    Pintura do teto do Salão Nobre com fragmento de “Toureiro alucinógeno” à esquerda - 1970. 

                                           
Neste sétimo e último texto sobre Salvador Dali foram apresentadas as fases da produção do artista, considerando informações sobre a sua personalidade, interesses, economia e política. Durante os seus oitenta e cinco anos ele produziu excessivamente, sendo mesmo impossível quantificar o total das suas obras.

 

                                   


imagem 61 – Foto de Salvador Dali, Marquês de Pubol no seu castelo em frente da última tela que pintou:
A cauda da Andorinha – óleo sobre tela, 78 x 92,2 cm – 1983.     

                               
Existem muitas outras informações na bibliografia citada, assim como, tantos outros escreveram sobre ele. Os textos apresentados neste Site mostram apenas algumas informações sintéticas sobre o artista, preocupações com alguns momentos que consideramos importantes durante a sua existência.    

Bibliografia
DALI, Salvador - VIDA SECRETA DE SALVADOR DALÍ - Figueres, Gerona: Dasa Edicions, 1981.
DALI, Salvador - DIARIO DE UN GENIO - Barcelona: Tusquets Ediciones, 1984.
DALÍ, Salvador y PARINAUD, A - CONFESIONES INCONFESABLES - Barcelona: Editorial Bruguera, 1975.
DESCHARNES, Robert e NÉRET, Gilles - SALVADOR DALI 1904-1989 - A OBRA PINTADA 1904-1946 - Germany: Benedikt Taschen, 1997.
GIBSON, Ian – LA VIDA DESAFORADA DE SALVADOR DALI– Barcelona: Anagrama Editorial, 1998.
GIBSON, Ian – LORCA-DALI. El amor que no pudo ser– Barcelona: Plaza & Janés Editores, S. A., 1999.
LOW, Adam – SALVADOR DALI – Filme: Visual na Arte, Madrid: Visual Ediciones, 1994.
MADDOX, Conroy - SALVADOR DALI 1904-1989: O GÊNIO EXCÊNTRICO - Germany: Benedikt Taschen, 1993.
NÉRET, Gilles -  SALVADOR DALI 1904 - 1989 - Germany: Benedikt Taschen, 1996.
PAUWELS, Louis - LES PASSIONS SELON DALI - Paris: Denoël Ed., 1968.                                                                                                      

 

OBS: As fotos encontram-se em tamanho real na aba “Imagens”.